Falar em Mutismo Seletivo é falar em Transtornos de Ansiedade na Infância. “Em 2010, Stallard já alegava que os transtornos de ansiedade em crianças e jovens eram tão comuns que já constituíam o maior grupo de problemas de saúde mental durante esta fase. De acordo com ele: “Os transtornos de ansiedade durante a adolescência conferem um forte risco de transtornos de ansiedade recorrentes no início da idade adulta”.

Neste sentido, o olhar do psicólogo infantil tem aumentado cada vez mais para o enfoque da prevenção e tratamento diante dos primeiros sinais de ansiedade que começam a se manifestar com frequência, podendo indicar possíveis prejuízos na vida de uma criança. Muitos estudos e trabalhos foram e estão sendo desenvolvidos no Brasil e no exterior dentro da abordagem cognitiva comportamental, dentre eles protocolos de prevenção e saúde mental na infância.

Os transtornos de ansiedade em geral são classificados como um estado de humor negativo, caracterizado por sintomas corporais de tensão física e apreensão em relação ao futuro (American Psychiatric Association, 2013; Barlow, 2002). Existem vários tipos de transtornos de ansiedade. Dentre os mais frequentes na infância e adolescência, estão: o transtorno de ansiedade de separação (visite nosso conteúdo no link: http://tamiresalencar.psc.br/2017/08/14/transtorno-de-ansiedade-de-separacao/), fobia específica, fobia social (ou transtorno de ansiedade social), transtorno de ansiedade generalizada, mutismo seletivo e transtorno do pânico. Hoje iremos falar sobre MUTISMO SELETIVO.

A principal característica observada na criança é a sua incapacidade ou evitação para falar em algumas situações, como na escola ou diante de pessoas estranhas. Por outro lado, ela é capaz de falar normalmente em situações familiares como na sua casa. Costumam falar com parentes muito próximos, mas não com amigos, avós ou primos. Elas podem não iniciar uma conversa e raramente respondem quando os outros falam com ela.

Durante situações pouco familiares, é bastante comum que elas utilizem modos de comunicação alternativos como cochichar no ouvido de alguém, movimentar ou sacudir a cabeça para afirmar ou negar. Também podem fazer grunhidos, apontar para aquilo que desejam, escrever caso conheçam a linguagem escrita sussurrar e ainda comunicar-se por gestos ou por mímicas. A criança também pode utilizar palavras monossilábicas ou expressões curtas que normalmente não acompanham um contato visual com o interlocutor. Em geral, o olhar se dirige para o chão.

De acordo com o DSM V (APA, 2013), o mutismo deve persistir por mais de um mês, levando em consideração o tempo no escolar (não deve ser considerado patológico no primeiro dia de aula) e se a criança for bilíngue, aguardar pelo menos 6 meses, e prejuízo nas duas línguas.

O mutismo seletivo pode desenvolver-se de diferentes maneiras pode produzir-se de forma progressiva (iniciando a partir de uma timidez excessiva), diante de situações potencialmente estressantes como a mudança de residência de uma cidade a outra ou de um país a outro, ou pode aparecer abruptamente. Em todas essas situações, as crianças limitam a sua comunicação verbal e falam somente com pessoas próximas a ela (pai, mãe), normalmente nas suas casas.

Dentre as características básicas do transtorno, é necessário observar as seguintes condutas:

  • Constatação de uma diminuição generalizada da frequência da conduta verbal (até mesmo a sua total ausência em determinados ambientes, normalmente estranhos para a criança);
  • A criança recusa-se a falar em situações sociais específicas e diante de pessoas que não fazem parte da sua intimidade;
  • A criança apresenta uma comunicação oral esperada para sua idade diante de um amigo  próximo, sua mãe ou pai;
  • Elas podem apresentar uma dificuldades sutis de linguagem comparada com seus pares, mas ainda trata-se de uma produção considerada normal;
  • Ausência de alguma outra dificuldade psicológica ou condição física que impacte na produção da linguagem oral e que explique o mutismo seletivo;
  • O comportamento de mutismo deve ser de pelo menos um mês, não podendo coincidir com o início da sua escolarização ou troca de um centro escolar para outro.

Normalmente o transtorno afeta crianças entre 3 e 8 anos. O início do mutismo é habitualmente antes dos 5 anos de idade, mas a perturbação pode não receber atenção clínica até a entrada na escola, fato que dificulta o diagnóstico precoce. O fracasso na fala, é com frequência, marcado por uma intensa ansiedade social. São crianças que podem apresentar timidez excessiva, medo de constrangimento em situações sociais, apego excessivo aos pais, negativismo, ataques de birra ou comportamento opositor leve e isolamento social, podendo gerar grave prejuízo social.

Resenha do Capítulo de Transtornos de Ansiedade do Livro Transtornos Psicopatológicos na infância e adolescência de Luciana Tisser e colaboradores, 2018.

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🌸Tamires Alencar de Souza
Psicóloga CRP CE 11/09543 / CRP PE 02/IS/00285
Esp. em Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
Terapeuta Cognitivo Comportamental em Formação
☎(88) 9 8846-3405
🖱psicologa.tamiresalencar@gmail.com
Atendimento em Recife – PE

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