Hoje nós iremos refletir um pouco sobre IMPULSIVIDADE. Uma característica de estrutura de personalidade que reflete nosso estado emocional e de humor e pode estar envolvida com diversos transtornos psicológicos como os de conduta, personalidade, ansiedade, obsessivo compulsivo e de ideação suicida.

A impulsividade é um traço de personalidade complexo e multidimensional e tem sido objeto de estudo de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, entre as quais, a Psicologia, a Psiquiatria, a Psicofarmacologia e área Criminal. O traço está presente em uma série de transtornos, tais como o déficit de atenção e hiperatividade, nos transtornos por abuso de substâncias e ainda nos comportamentos violentos e antissociais. As principais definições da impulsividade incluem uma ação motora rápida, tendência a responder rapidamente a um estímulo sem reflexão prévia, dificuldade em manter a atenção por um tempo prolongado, dificuldade de planejar açoes e ausência de premeditação.

Resumindo, pessoas impulsivas podem apresentar comportamentos de: ansiedade, agressão premeditada, déficit inibitório (falar antes de pensar, por exemplo), uso de álcool e outras substâncias psicoativas, transtorno de humor, agressividade, acidentes de trânsito, baixa concentração, explosões de nervosismos frequentes, conclusões precipitadas, impaciência, resistente a conselhos, sentimento de vingança, falta de controle sobre as próprias emoções e domínio próprio e atitudes inesperadas ou inregulares, que podem provocar arrependimento e angústia posteriormente, podendo colocar em risco a sua vida e de terceiros. É o que o autor nomeia como propensão (que se refere a um padrão de comportamento e não apenas a uma situação isolada), falta de planejamento (que implica não haver a possibilidade de considerar conscientemente as consequências do ato) e, por fim, o envolvimento de riscos (Moeller et al, 2001)

“A impulsividade abarca uma série de dimensões que em conjunto descrevem características independentes que interagem, resultando em comportamentos cujos efeitos podem ser positivos ou negativos para o indivíduo e os demais” (Arce et al apud , 2001).

Existem muitos casos relatados sobre suicídio em um ato de impulso, assim como um assassinato e outros crimes bastante graves que não foram planejados, mas tomaram como resposta a uma sensação ou sentimento mal elaborado. Pessoas impulsivas geralmente apresentam conflitos em seus relacionamentos, pois muitas vezes, fala sem pensar e o ouvinte não está “preparado” para receber.

Desse modo, a impulsividade é avaliada em processos de avaliação psicológica no contexto do trânsito, organizacional e judiciário, por exemplo, especialmente cujas atividades ocupacionais envolvam situações de riscos como: operadores de máquinas diversas, motoristas, motoboy, vigilantes, pilotos, entre outras profissões. Mas, também no contexto clínico e educacional.

Pueyo (2003), ao pesquisar a avaliação da impulsividade no uso de armas de fogo para policiais e forças de segurança, destacou que o construto está vinculado a um agrupamento de processos emocionais, cognitivos e motivacionais que atuam em conjunto. Assim, do ponto de vista da Psicologia, seria possível discutir a impulsividade sobre três aspectos: individual (como um comportamnto circunstancial de um sujeito, ao agir de forma irrefletida ou brusca e pode ser considerada ocasional ou eventual), características do sujeito (que o predispõe a agir, tomar decisões, pensar impulsivamente constante e rotineiramente, o que o torna uma forma de descrevê-lo) e terceiro, impulsividade como um sintoma de uma doença mental, como a psicopatia ou a esquizofrenia.

Já Barratt (1959, 1963, 1981, 1993), a definiu como um traço de personalidade complexo, relacionado a uma tendência a realizar ações motoras rápidas, não planejadas e com frequência ineficientes e incorretas.

Concluímos então, que ser impulsivo não é uma coisa boa, por isso, há muitas pessoas reprovadas em processos seletivos ou com dificuldades de aprendizagem, dificuldades em habilidades sociais ou ainda, surpreendendo com seus comportamentos homicidas. Desse modo, para essas pessoas sugerimos acompanhamento psicológico com psicólogo e psiquiatra, podendo ainda ser útil o uso de medicação.

Se você se considera uma pessoa impulsiva e principalmente, que já foi vítima de diversos prejuízos provocados a sua vida ou de terceiros, entre em contato conosco e agende uma avaliação psicológica para conhecer seu nível de impulsividade e outras questões envolvidas e melhor tratamento da mesma.

Resenha do Capítulo “Fundamentação Teórica” do Livro “Escala de Impulsividade formas A e B de Rueda, Fabián Javier Marin. São Paulo: Vetor, 2012.

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🌸Tamires Alencar de Souza
Psicóloga CRP 11/09543
Esp. em Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
Terapeuta Cognitivo Comportamental em Formação
☎(88) 9 8846-3405 / (88) 3512-7615
🖱psicologa.tamiresalencar@gmail.com

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