Essa é uma pergunta muito comum atualmente. Mas, hoje vamos entender de fato o que é inteligência emocional, se é possível desenvolvê-la e quais os benefícios de ter o controle das próprias emoções!

Antes de iniciarmos, faça um exercício de reflexão: Naquele dia, que fiquei com raiva e explodi, o que poderia ter feito diferente? Será que é possível controlar a minha raiva e/ou o estresse, para agir de forma assertiva e equilibrada? É possível controlar os meus pensamentos?

Goleman (1995 apud Miguel 2016), em suas publicações, mesmo referenciado Salovey e Mayer como os proponentes do construto, apresentou um novo modelo de inteligência emocional baseado em cinco grandes áreas: consciência das próprias emoções e domínio sobre elas; capacidade de lidar com emoções; utilizar emoções para gerar criatividade, otimismo e motivação; empatia para reconhecer as necessidades dos outros; e capacidade de trabalhar em grupo e liderar. Apesar do apelo público, a literatura científica costuma considerar suas propostas excessivas e com pouco ou nenhum respaldo empírico.

A inteligência emocional é, portanto, a capacidade de processar informações emocionais acuradamente, e envolve quatro capacidade cuja complexidade aumenta progressivamente: a percepção de emoções, a utilização da emoção para facilitar o pensamento, a compreensão emocional e a regulação de emoções.

Para avaliar o nível de inteligência emocional, é necessário ferramentas que utilizem da expressão emocional do ser humano, a fim de investigar suas capacidades de se impor conscientemente como a maioria o responderia (a moda falando estatisticamente). Desse modo, diversos pesquisadores no mundo todo utilizaram Multifactor Emotional Inteligence Scale (MEIS) e sua versão aprimorada, o Mayer-Salovey-Caruso Emotional Intelligence Teste (MSCEIT) e outros instrumentos de avaliação de uma série de importantes estudos sobre a pertinência da inteligência emocional como um tipo de inteligência. Agrupando-se os resultados, é possível concluir que:

a) a inteligência emocional pode ser operacionalizada num conjunto de habilidades primárias;

b) essas tarefas apresentaram respostas que podiam ser claramente distintas entre melhores e piores;

c) todas as tarefas apresentaram correlações entre si;

d) a pontuação geral em inteligência emocional correlacionou-se moderadamente com outras medidas de inteligência, indicando que apresenta alguma variância em comum com um componente geral de inteligência, mas também alguma variância única;

e) a inteligência emocional correlacionou-se positiva e significativamente com diversos aspectos de vida como, por exemplo: empatia, calorosidade emocional de pais, conduta não abusiva, flexibilidade e abertura a novas experiências, menor envolvimento em atividades antissociais (como brigas, uso de álcool e drogas), melhor adaptação no trabalho, crescimento pessoal, maiores atividades relacionadas a aspectos culturais e entretenimento;

f) adultos tiveram um desempenho melhor o que adolescentes, evidenciando que a inteligência emocional se desenvolve com a idade e a experiência, fato esperado para todo tipo de inteligência;

g) um fator geral de inteligência emocional pode ser subdividido em três subescalas: percepção de emoções, compreensão de emoções e regulação de emoções, sugerindo que o modelo teórico inicial de quatro níveis poderia ser reduzido para um modelo com três níveis em vez de quatro.

Em relação a treinamentos, ainda percebe-se poucos estudos sobre o mesmo. Todavia, há de se pensar em psicoterapia individual ou em grupo, na clínica e nas instituições, como uma das ferramentas de desenvolvimento da inteligência emocional, já que a mesma provoca um encontro real com as próprias emoções, momento de reflexão e desconstrução, proporcionando bem-estar psíquico de forma geral, e trazendo prevenção ao adoecimento e alguns benefícios, como podemos ver abaixo:

Nas pesquisas, encontramos Slaski e Cartwright (2003), a qual aplicaram um treinamento de inteligência emocional em 60 gerentes e fizeram avaliações antes e após a intervenção. Comparados com grupo controle, os gerentes que receberam treinamentos demonstraram melhoras na saúde e bem-estar, com redução do estresse.

O efeito de um treinamento de seis meses em adolescentes em idade escolar foi analisado por Ruiz-Aranda  colaboradores (2012). As alterações foram significativas e o grupo que recebeu treinamentos apresentou menor frequência de sintomas clínicos negativos ao final e até mesmo seis meses depois.

O trabalho de cuidar de pessoas portadoras de déficit intelectual pode ser desgastante e, por isso, Zijlmans, Ricci e Miguel (2011) avaliaram os efeitos de um treinamento. Tanto os resultados em testes quanto a avaliações de juízes mostraram que o treinamento provocou melhoras nos cuidadores.

Não obstante os resultados positivos encontrados, muito pesquisadores ainda levantam dúvidas baseados no fato de um número grande de propostas de treinamento em inteligência emocional ser encontrado em publicações leigas e em empresas, mas a quantidade de estudos ainda ser pequena em contextos muito específicos.

Sabendo de que a inteligência emocional é um conceito relativamente novo na Psicologia, é provável que as próximas décadas ainda guardem debates quanto à pertinência ou até existência do construto.

Ressalta-se portanto, que a inteligência emocional é um campo muito a ser discutido, que profissionais da Psicologia devem tomar cuidado com as propostas de intervenção e que os pacientes, devem cuidar das próprias emoções, reforçando seus hobbies, interesses pessoais, afetivos, sociais, alimentando as boas emoções como: o amor, a esperança, o otimismo, a aceitação, a empatia, a tolerância, entre outras, que são necessárias para nos expressarmos como seres humanos e conviver com os outros com maior qualidade de vida.

Assim, encerramos o nosso conteúdo de hoje, baseado no capítulo “Inteligência Emocional” do Livro “Atualização em avaliação e tratamento das emoções: as emoções e seu processamento normal e patológico” de Miguel et al. Vol 2. São Paulo – Vetor: 2016 com o seguinte questionamento: Como você avalia sua inteligência emocional???

Lembre-se: a inteligência emocional te dar domínio próprio!!!

🌸Tamires Alencar de Souza
Psicóloga CRP 11/09543
Esp. em Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
Terapeuta Cognitivo Comportamental em Formação
☎(88) 9 8846-3405 / (88) 3512-7615
🖱psicologa.tamiresalencar@gmail.com

#cuide-se #inteligênciaemocional #emoçõesesaúde #prevenção #saúdemental #psicologia #avaliaçãopsicossocial

Posts Relacionados

Falar em Mutismo Seletivo é falar em Transtornos de Ansiedade na Infância. “Em 2010, Stallard já alegava que os transtornos de ansiedade em crianças e jovens eram tão comuns que já constituíam o maior grupo de problemas de saúde mental durante esta fase. De acordo com ele: “Os transtornos de ansiedade durante a adolescência conferem […]

“A idade gestacional e o peso de nascimento são os fatores de maior impacto na mortalidade e no risco de sequelas em recém-nascidos (RN). De acordo com a Organização Mundial da Saúde ([WHO], 1980) crianças nascidas antes da 37ª semana de gestação (<259 dias) e com peso <2.500g são consideradas prematuras. Considera-se prematuro moderado o […]