O suicídio, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), se refere ao ato intencional de autolesão cujo objetivo é tirar a própria vida, sendo que o indivíduo que comete tal ato tem plena consciência de seu resultado final (OMS, 1993). Quanto aos dados epidemiológicos de suicídio, em termos globais, a OMS (WHO, 200A; 2003) estima ocorrência de um a cada 40 segundos (chegando a cerca de um milhão de suicídios por ano), sendo a faixa etária entre 15 e 44 anos a mais cometida. A respeito da variável sexo, é consensual na literatura sobre o tema, que embora o número de suicídios seja maior em homens, as mulheres possuem uma frequência muito maior de tentativas de suicídio (CHACHAMOVICH et al., 2009; OMS, 2001).

Outras possíveis explicações sobre a ocorrência de suicídio estão relacionadas a estressores no ambiente de trabalho, do desemprego (e a possível queda do nível socioeconômico), sentimentos de inutilidade e características de personalidade (por exemplo, impulsividade), esses aspectos acrescidos a depressão, alcoolismo, uso de drogas, sexo, idade, desemprego, precária percepção de suporte social e familiar, perda de um familiar ou alguém considerado significativo para o indivíduo, problemas de saúde, baixa autoestima, podem levar a ideações suicídas (BAPTISTA; BORGES, 2005; SUN et al., 2005).

Quanto a alguns estudos sobre a relação entre as emoções e o suicídio, Hess e Falcke (2013), por intermédio de uma revisão sistemática da literatura de sintomas internalizantes na adolescência e as relações familiares, constataram, entre outros aspectos, que em geral, em pais que apresentavam precária afetividade (em termos de expressá-la tanto verbal quanto fisicamente), os filhos tenderam a ser mais suscetíveis a manifestar problemas emocionais e comportamentais, inclusive ideações e comportamentos suicidas. Cummings, Cheung e Davies (2013) constataram que pais deprimidos tendem a proporcionar a seus filhos influências negativas quanto a expressões emocionais, como falta de afeto e suporte. Para esses autores, esses filhos provavelmente apresentarão insegurança emocional, sentimentos de desvalia e pouca afetividade. Corroborando com tais afirmações, Loyo, Martínez-Velázquez e Ramos-loyo (2013) salientam que as disfunções emocionais (dificuldades em expressar-se emocionalmente ou alta influência de emoções consideradas negativas, especialmente tristeza) tendem a estar associadas às ideações e aos comportamentos suicidas.

Por emoção, Miguel (2013, p. 66), a partir de uma análise crítica da literatura, constata que embora aparentemente simples, a definição de emoção ainda não é consensual na literatura. Entretanto, de modo geral, esta mesma pode ser compreendida como “uma reação a um estímulo e caráter afetivo que visa criar um meio facilitador de adaptação às mudanças que ocorrem no ambiente”. Com base na teoria psicoevolucionista, oito emoções básicas podem ser citadas, sendo essas, alegria, aceitação, medo, surpresa, tristeza, aversão, raiva e expectativa.

O mesmo autor discorre ainda em relação às oito emoções primárias supracitadas e as relaciona com personalidade. Nesses termos, a alegria está relacionada à satisfação com a via, contentamento e bem-estar subjetivo. A aceitação refere ao prazer de se sentir fazendo parte de um grupo, tendo como base comportamentos de reciprocidade e sendo essa emoção associada à confiança e tolerância. A emoção medo surge em decorrência de um evento inesperado por outra pessoa ou ambiente, podendo esse gerar sentimentos de incerteza e falta de controle da situação. De acordo com o autor, a repetição frequente de medo tende a gerar indivíduos com características comumente associadas à timidez ou ansiosas (MIGUEL, 2013). A emoção surpresa pode ser considerada a mais breve e tende ou não a combinar sequencialmente a outra emoção (positiva ou negativa), causando no momento de sua ocorrência uma pausa para que o indivíduo possa se reorientar. A emoção tristeza se relaciona à sensação de abandono, sendo geralmente associadas ao comportamento de choro, humor deprimido e sentimentos de desesperança. A emoção aversão constantemente é associada a comportamentos de hostilidade, desprezo e crítica, uma vez que esta é desesperada por causa dos objetos considerados pelos indivíduos como repulsivos ou indesejáveis. A emoção raiva surge uma vez surge uma vez que o indivíduo se depara com um obstáculo considerado hostil, o qual gera no indivíduo uma resposta de ataque, visando sua eliminação. Por fim, a emoção expectativa ocorre quando o indivíduo está diante de uma atuação desconhecida, gerando nele curiosidade e interesse (MIGUEL, 2013).

Isto posto, é importante destacar que estudos indicam que quanto maior a influência de emoções negativas (por exemplo tristeza e medo) na vida dos indivíduos, maior tende a ser a execução de comportamentos autoagressivos por parte desses. Em relação ao suicídio, Pisani e colaboradores (2013) discorre a relação com a incapacidade de identificar as emoções quando o indivíduo se encontra em uma situação complexa e também ao fato de um indivíduo não ter repertório para responder aos estímulos apresentados, ou seja, incapacidade de resolução dos conflitos apresentados. Essas estratégias de regulação das emoções, em grande parte, são apreendidas por intermédio da relação com familiares, principalmente na infância e adolescência e no contexto social.

Com base na teoria da Psicologia Positiva, Rodriguez (2011) apresenta afirmações no que tange a possíveis efeitos das emoções (tanto positivas quanto negativas) na forma de pensar e agir dos indivíduos. Para esse autor, emoções positivas como alegria, por exemplo, tende a ampliar, para uma forma mais adequada, os pensamentos e a formas de agir dos indivíduos, podendo esses ser considerados ou estereotipados, como pessoas produtivas, com senso de humor, investigativas e com bons relacionamentos sociais. Em outras palavras, as emoções positivas são consideradas protetivas contra o suicídio. Em contrapartida, emoções negativas, como medo, por exemplo, estreita a capacidade do indivíduo em pensar e agir, tendo, muitas vezes, o suicídio como a única estratégia para a resolução de determinados conflitos.

Nesse sentido, é fundamental a percepção dos fatos: sentimentos, pensamentos e atitudes de um indivíduo, especialmente quando se vivencia situações de estresse. Mas, é no autoconhecimento que ele se percebe como capaz para o enfrentamento de situações de riscos. Desse modo, é importante a psicoterapia desde a infância para o desenvolvimento de estratégias de coping, diminuição de características de personalidade como impulsividade e aumento de características como autoestima e segurança.

Se você se percebe incapaz de enfrentar os desafios da vida, os problemas diários, não deixe para depois, procure ajuda profissional e evite pensamentos disfuncionais que possam acarretar maiores sofrimentos envolvendo transtornos psiquiátricos como a depressão ou a ideações suicidas, que coloque em risco a sua saúde mental e emocional. A psicologia pode lhe auxiliar no desenvolvimento do autoconhecimento, do autocontrole, da inteligência emocional, de capacidades como a resiliência e de recursos emocionais positivos para o enfrentamento de situações de estresse. Consulte um psicólogo!

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Resenha do capítulo “suicídio e controle de emoções” de Maklim Nunes Baptista, Hugo Ferrari Cardoso do Livro “Atualização em avaliação e tratamento das emoções: as emoções e seu processamento normal e patológico”. Vol 2. São Paulo: Vetor Editora, 2016.

Psicóloga Tamires Alencar de Souza (CRP CE 11/09543)

Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico

(88) 9 8846-3405 / psicologa.tamiresalencar@gmail.com

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