O que é o burnout?

O termo burnout foi introduzido por Freudenberg e seu desenvolvimento, nas década de 1970, foi em estudos de indivíduos com problemas no início da carreira nas profissões do tipo assistencial (Freudenberg, 1975). Burnout é uma expressão da língua inglesa figurativa de uma situação de extinção de energia, à asfixia de um incêndio ou extinção de uma vela (Schaufeli et al, 2009), esgotamento de motivação e incentivo, implicando uma mudança de atitude e comportamento em resposta a uma experiência de trabalho exigente, frustrante e pouco compensadora (Amimo, 2012). Significa, portanto, queimar-se ou destruir-se pelo fogo, o que pode indicar a analogia de que o indivíduo acometido pela síndrome sente-se consumido pelo trabalho (Angelini, 2011; Carvalho, 2003).

Essa metáfora descreve, portanto, o esgotamento da capacidade dos funcionários para manter um envolvimento intenso com impacto significativo no trabalho, ou seja, que se chegou ao limite do esforço, e que, em razão da falta de energia, não há condições físicas nem mentais para trabalhar.

Causas e manifestações do burnout

Maslach e Leiter (1999) formularam um modelo que enfoca o grau de concordância ou desajuste entre a pessoa e seis domínios do ambiente de trabalho, nomeadamente:

carga de trabalho: exigências em que o trabalho impõe sobre o funcionário, podendo ser quantitativa (quantidade do trabalho que a pessoa tem a realizar) e qualitativa (dificuldade do trabalho em relação à capacidade da pessoa);

controle: capacidade de percepção dos trabalhadores para influenciar as decisões que afetam seu trabalho, para o exercício de autonomia profissional e para ter acesso aos recursos necessários para fazer um trabalho eficaz.

recompensa: extensão em que as recompensas – monetárias, sociais e intrínsecas – são consistentes com as expectativas do trabalhador.

comunidade: qualidade da interação social no trabalho, incluindo questões de conflitos interpessoais, apoio social, proximidade e capacidade para trabalhar em equipe.

justiça: medida em que as decisões no trabalho são percebidas como sendo justas e as pessoas são tratadas com respeito.

valores: poder cognitivo-emocional das metas de trabalho e expectativas.

Como Leiter e Maslach (2005) assinalam, quanto maior for a incongruência percebida entre a pessoa e os seis domínios da vida profissional, maior a probabilidade da ocorrência do burnout e, inversamente, quanto maior a congruência percebida, maior a probabilidade de engajamento no trabalho.

Os indivíduos emitem diferentes respostas aos estressores, consoante apreciam, uma exigência particular, como negativa ou positiva para o seu bem-estar (Lazarus; Folkman, 1984). Dependendo dessa avaliação (avaliação cognitiva), as pessoas recorrem a uma variedade de estratégias de coping ou de enfrentamento para responder à percepção de ameaça, dano e perda (Carver; Connor-Smith, 2010). Uma sistematização de notável importância, realizada por Aydemor e Icelli (2003), indica:

traços de personalidade: neuroticismo, extroversão, agradabilidade, abertura, conscienciosidade (retidão), afeto negativo, hardiness (comprometimento), lócus de controle (autocontrole), alexitimia (incapacidade de regular as emoções e afetos), comportamento do tipo A (comportamento agressivo, ambicioso e imediatista), comportamento do tipo D (má qualidade de vida, afetividade negativa e inibição social), perfeccionismo, otimismo, personalidade proativa e desordens da personalidade.

fatores demográficos: gênero, idade, estado civil e escolaridade.

fatores neurobiológicos: genéticos e biomarcadores.

distúrbios psiquiátricos: depressão, distúrbios de estresse pós-traumático.

Prevenção de burnout

Em sentido lato, a prevenção significa reduzir o estresse com impacto negativo nas pessoas em causa (Karl; Fischer, 2013). As abordagens preventivas incluem tanto a modificação do ambiente de trabalho quanto a melhoria da capacidade de o indivíduo lidar com estressores. O emprego de tais medidas ou estratégias antiburnout pelas organizações podem garantir a rentabilidade destas assim como propiciar o bem-estar dos trabalhadores. Desse modo, os autores apontam três tipos de programas de intervenção para prevenção do burnout: os dirigidos as pessoas (individuais/grupais), os dirigidos à organização e a combinação de ambos.

Os programas de intervenção dirigidos às pessoas são geralmente medidas comportamentais cognitivas destinadas a reforçar a competência e habilidades de enfrentamento pessoal da síndrome, apoio social ou diferentes tipos de exercícios de relaxamento (Awa et al, 2013). Jás as intervenções dirigidas à organização constituem mudanças nos procedimentos de trabalho, como a reestruturação de tarefas, avaliação do trabalho e supervisão, visando à diminuição da demanda de trabalho e ao aumento de controle do trabalho e nível de participação no processo decisório (Awa, 2010).

Os níveis de prevenção de burnout também podem ser divididos em medidas preventivas primárias, secundárias e terciárias (Carod-artal et al, 1998). Enquanto as intervenções primárias concentram-se em modificar ou eliminar as fontes ambientais de estresse no local do trabalho, as intervenções secundárias são voltadas na potencialização dos recursos pessoais do indivíduo para ajudá-lo a lidar com o estresse e, por fim, as intervenções terciárias são direcionadas ao tratamento e reabilitação do trabalhador com graves problemas de saúde relacionados ao estresse ou burnout.

Garrosa e Moreno-Jiménez (2013) propuseram um modelo de resiliência emocional, a qual baseia-se na ideia de que a personalidade é um sistema de processos cognitivos, emocionais e comportamentais que interagem uns com os outros, sendo as variáveis emocionais e motivacionais relacionadas com emoções positivas e promotoras de processos de saúde e bem-estar. Recursos de resiliência emocional promovem a saúde e relacionam-se com menor pontuação em estresse, estados emocionais positivos, uso de estratégias de coping adaptativas, elevados níveis de engajamento e autoeficácia e maior bem-estar subjetivo (GARROSA; MORENO-JIMÉNEZ, 2013). Desse modo, como prevenção, o modelo se constitui de três características essenciais: a resiliência, o otimismo e a competência emocional.

As pesquisas científicas revelam que as profissões de saúde como medicina e enfermagem são as mais afetadas pela síndrome de Burnout, a qual suas vítimas tendem a desenvolver comportamentos de riscos como consumo de álcool e drogas, com maior frequência, como consequência de distúrbios do sono, da alimentação e má qualidade de vida.

“As profissões que se submetem a sobrecarga de movimento e tensão ocupacional, como por exemplo aquelas presentes em um Pronto Socorro, é necessário haver um monitoramento periódico da saúde mental e física desses trabalhadores, estimulando a prática de exercícios físicos, alimentação balanceada nos horários corretos, um bom sono, momentos de lazer e prazer para o indivíduo, saber administrar o tempo e saber dizer “não”. Estes e outros são meios de reduzir tensões, melhorando e evitando, assim, danos à saúde do trabalhador”(FRANÇA et, 2014, p. 16)

A Psicologia, é uma ciência responsável pelo cuidado a saúde emocional e diante desses fatores pode contribuir de forma preventiva com palestras socioeducativas nas organizações, no meio acadêmico e na comunidade; além disso, o psicólogo pode auxiliar o paciente no diagnóstico através de inventários psicológicos que visam identificar o nível de estresse, ansiedade, depressão e esgotamento do trabalho; se constatado, ainda o psicólogo pode realizar atendimentos psicológicos ou aconselhamentos para redução de cargas de estresse e autocontrole emocional diminuindo pensamentos autodepreciativos que pioram seus sintomas e seus relacionamentos.

Se você se percebe assim, frequentemente esgotado pelas condições de trabalho, falta de prazer na profissão que exerce ou mesmo, desmotivado pela falta de autonomia, procure ajuda psicológica clínica ou no contexto do trabalho, você pode estar com a síndrome de burnout.

Resenha do capítulo Burnout: A síndrome de esgotamento profissional. Mussa Abacar. José Maurício Haas Bueno. Atualização em avaliação e tratamento das emoções. São Paulo: Vetor, 2016, Vol 2.

FRANÇA et al. Síndrome de Burnout: Características, Diagnóstico, Fatores de Riscos e Prevenção. Rev. de Enfermagem UFPE on line. Recife, 2014.

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Psicóloga Tamires Alencar de Souza –  CRP 11/09543

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