🤔 A relação entre Autoconceito e Transtorno de Conduta

O autoconceito muitas vezes, apresenta-se como sinônimo de autoestima, mas hoje iremos entender melhor a respeito do seu significado, a construção e sua relação com o transtorno de conduta.

Segundo Burns (op.cit) e Machargo Salvador (1991), essas percepções construídas e as atitudes a elas correspondentes (autoconceito) possuem três componentes básicos:

  • Cognitivo = diz respeito ao conjunto de características com que a pessoa se descreve e que não é necessariamente verdadeiro ou objetivo, mas que orienta seu modo habitual de ser e se comportar.
  • Afetivo = diz respeito aos afetos e às emoções que acompanham a descrição de si mesmo e que foi definida por Coopersmith (1967) como autoestima.
  • Comportamental = que passa a ser influenciado diretamente pelo conceito que a pessoa tem de si mesma.

Além disso, o autoconceito pode ter reflexo das opiniões dos outros, assumindo-se que o autoconceito começa a ser construído na infância. Assim, pode-se dizer que não se nasce com um conceito próprio, predeterminado, mas que ele se desenvolve no decorrer da vida, igualmente ao juízo do belo e outros sentimentos.

Autores clássicos no estudo do autoconceito como Coopersmith (1967), Maccoby (1980) ou Swayze (1980) afirmaram que as crianças recebem informações sobre si mesmas dos adultos significativos em sua vida e que dessas impressões recebidas desenvolvem uma imagem positiva ou negativa de si mesmos. Para Bretherton (1991) a criança que vivencia experiências com as figuras parentais emocionalmente adequadas e que lhe dão suporte construirá um modelo de “eu” adequado e amoroso. Em contraste, a criança que experiencia rejeição poderá formar um modelo de “eu” desvalorizado, o que pode ser um precursor de uma baixa autoestima.

Assim, o autoconceito a partir do modelo teórico de Shavelson, Hubner e Stanton (1976), é definido como a percepção que o indivíduo tem de si, sustentado diretamente por suas experiências em relação aos outros e na valoração que faz de sua própria conduta, influenciados pelos componentes citados acima e ainda, pela idade, a raça, o gênero, o contexto social e os seus relacionamentos, como familiares e escolares.

Os critérios para avaliar esse contexto caracterizariam crianças e adolescentes que estão em um contínuo que vai da presença de medo, erros, preocupação, nervosismo e problemas até sua ausência.

O autoconceito social tem como enfoque tratar das relações sociais com os colegas e como a pessoa se percebe nessas relações, referindo-se as capacidades intelectuais, a vontade de ser igual ou melhor que os outros, o desejo de ajudar os amigos e ser ajudado quando necessitar.

O autoconceito escolar trata das questões relativas às relações interpessoais que ocorrem no contexto escolar, relacionando-se as possibilidades de liderança, de ser academicamente visto como esperto e ter as suas colocações aceitas pelos colegas, ao mesmo tempo em ser reconhecido como uma pessoa bondosa e divertida, tanto no sentido positivo como no negativo.

O autoconceito familiar trata do comportamento adotado nas situações do dia-a-dia em casa com os pais e irmãos, os sentimentos em relação aos irmãos, a ser cuidadoso com as coisas, dizer a verdade e a fazer corretamente o solicitado pela família, possibilitando condutas positivas e negativas em relação a eles.

No transtorno de conduta, o autoconceito aparece rebaixado, sendo esta percepção que pode ser reflexo do conjunto desses aspectos representados de forma negativa, já que o mesmo está associado a disfunções pessoais, familiares, sociais e acadêmicas, conforme o DSM V.

A característica essencial deste transtorno é um padrão comportamental repetitivo e persistente no qual são violados direitos básicos de outras pessoas ou normas e regras sociais relevantes e apropriadas para a idade. Tais comportamentos desadaptativos se agregam em quatro eixos:

📍Conduta agressiva causadora ou com perigo de lesões corporais a outras pessoas ou animais;
📍Conduta não agressiva que causa perdas ou danos ao patrimônio;
📍Defraudação ou furtos;
📍Sérias violações de regras.

As manifestações das condutas são variadas e estáveis, especialmente, na família, na escola e na comunidade. Muitos pacientes apresentam ainda um comprometimento nas funções neuropsicológicas, apontam-se prejuízos nas funções executivas: atenção, flexibilidade cognitiva, formação de objetivos, julgamento, abstração, planejamento da sequência de comportamentos motores, inibição de comportamentos impulsivos ou inadequados e automonitoramento.

✏Verifica-se que as práticas educativas ineficientes dos pais são vistas como determinantes para esse transtorno. Sendo assim, é possível avaliar esses pacientes para identificar se há ou não correlação com o transtorno de conduta, no mesmo aplica-se testes e escalas psicológicas que possam identificar as funções cognitivas e executivas responsáveis pelo comportamento da criança ou do adolescente.

👨‍👨‍👧‍👦Caso seja verificado a presença do transtorno, o mesmo será encaminhado para tratamento, que inclui: atividades socioeducativas, psicoterapia individual e em grupo e avaliação psiquiátrica, podendo ser realizados na abordagem Cognitiva Comportamental, com técnicas de intervenção cujo o objetivo é atingir mudanças comportamentais e reestruturação cognitiva. Sendo de extrema importância à inclusão dos pais neste tratamento.

😵Dúvidas? Entre em contato conosco!

Fonte: PEZZINI, L. apud. Transtorno de conduta, funções neuropsicológicas comprometidas e o tratamento com terapia cognitivas comportamentais. IV Seminário de Psicologia e SISTO, F. F.; MARTINELLI, S. C. Escala de autoconceito infanto-juvenil. São Paulo, Vetor – 2004.

👉Psicóloga Tamires Alencar (CRP 11/09543)
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